The Christian Post > Opiniões|Qui, 14 Fev. 2013 11:45 AM EST

A Bíblia mais antiga

PorVilson Scholz | Colunista Convidado do The Christian Post

Recentemente, numa matéria sobre o advento do livro digital, uma conhecida revista brasileira incluiu o dado errôneo de que o Códice Sinaítico é “o códice de pergaminho mais antigo de que se tem notícia”. Trata-se de um equívoco, que precisava ser corrigido, porque existem códices de pergaminho mais antigos. O Sinaítico é, isso sim, o mais antigo pergaminho que traz a Bíblia (mais ou menos) completa num só volume. Contém a maior parte do Antigo Testamento, em grego, e também o Novo Testamento. É preciso dizer que se trata de uma cópia “mais ou menos completa”, porque tem algumas lacunas, ou seja, partes ou páginas que se perderam.

  • Vilson Scholz

Para quem não lembra, um manuscrito é uma cópia feita à mão. E o pergaminho é o material de escrita preparado a partir da pele de animais. O termo “códice” especifica o formato do livro, a saber, semelhante ao nosso caderno ou aos livros de nossos dias (e não mais na forma de um rolo).

Pelo que se calcula, o Códice Sinaítico foi produzido em meados do quarto século da era cristã, ou seja, por volta do ano 350 d. C. Mesmo estando tão afastado do período em que os livros bíblicos foram escritos, esse manuscrito é a cópia “completa” mais antiga porque, naquele tempo, não era hábito copiar a Bíblia inteira num único volume. Em grande parte, porque resultava num livro difícil de carregar. Assim, costumavam copiar o Novo Testamento, por exemplo, em quatro cadernos ou códices. Isto significa que, de partes avulsas do Novo Testamento, existem cópias bem mais antigas do que o Códice Sinaítico. Existe um fragmento do Evangelho de João, o famoso Papiro 52, que é datado de 130 d. C. É, com razão, visto como o mais antigo manuscrito do Novo Testamento, embora contenha apenas algumas palavras de João 18.

Sendo um códice só, o Sinaítico é um livro de tamanho descomunal. Numa edição dos dias de hoje, feita em fac-símile (fotografia) e impressa em papel, esse Códice Sinaítico pesa mais de 12 quilos. As páginas têm uma altura de mais de quarenta centímetros. Cada exemplar custa em torno de oitocentos dólares. É caro, mas nem tanto, se comparado com o preço de exemplares em fac-símile de outro manuscrito grego antigo, o Códice Vaticano: este é vendido por mais de seis mil dólares o exemplar.

Essa cópia quase completa da Bíblia, em grego, escrita com letras maiúsculas, sem separação entre as palavras, em quatro colunas por folha, é feita de 822 páginas. É claro que o livro impresso, descrito no parágrafo anterior, aparece como um volume só. Mas as folhas manuscritas originais estão guardadas, atualmente, em quatro museus: no Britânico, em Londres (347 folhas); na Biblioteca da Universidade de Leipzig, na Alemanha (43 folhas); na Biblioteca Nacional da Rússia, em São Petersburgo (partes de quatro folhas); e no Mosteiro de Santa Catarina, na península do Sinai (algumas pequenas porções). E é exatamente por ter sido guardado e descoberto nesse mosteiro, na península do Sinai, que esse manuscrito da Bíblia é chamado de Códice Sinaítico.

Sua descoberta se deu em 1859, e o autor da façanha é Konstantin von Tischendorf, um professor da Universidade de Leipzig, na Alemanha. A história da descoberta e aquisição do manuscrito é longa e cheia de suspense. Um dos capítulos finais é a compra de boa parte dessa cópia da Bíblia pelos ingleses, em 1933. Os ingleses pagaram aos soviéticos cem mil libras esterlinas, o que fez com que, naquela época, se tornasse o livro mais caro do mundo. Assim, hoje, a maior parte dessa cópia da Bíblia se encontra no Museu Britânico, em Londres. A própria produção do manuscrito teve um custo elevado: foi investido o equivalente ao preço de cinco toneladas de trigo.

Curta-nos no Facebook

Existe um site, na Internet, onde se pode visualizar essa cópia da Bíblia: www.codexsinaiticus.org. Vale à pena dar uma olhada. Afinal, trata-se da mais antiga cópia (mais ou menos) completa da Bíblia de que dispomos e um daqueles assim chamados “mais antigos e melhores manuscritos” do Novo Testamento. Aos interessados no assunto, recomendamos o livro “Origem e Transmissão do Texto do Novo Testamento”, de Wilson Paroschi, publicado pela SBB.

Vilson Scholz tem doutorado na área de Novo Testamento e é consultor de Tradução da Sociedade Bíblica do Brasil. Acesse a página www.sbb.org.br.
  • Victoria Osteen e seu esposo Joel Osteen, pastor sênior da Igreja Lakewood em Houston, Te...
  • ...
  • Brasileirão 2013: tabela de classificação completa após 1ª rodada...
  • Protestos ocorrem com a aprovação do casamento gay na França....
Não Perca