The Christian Post > Opiniões|Qui, 12 Jan. 2012 09:41 AM EST

Bíblias em diferentes tamanhos

PorVilson Scholz | Colunista Convidado do The Christian Post

Uma das coisas que deixa muita gente curiosa e, quem sabe, até meio confusa é que não existe uma única Bíblia, no tamanho. Ainda lembro quando me foi dito pela primeira vez: Esta é uma Bíblia Católica. A pergunta que a gente logo se faz é o que ela tem de diferente para ter esse nome.

  • Vilson Scholz

Este é um tema que já deu muita discussão e até briga. E não é fácil tratar dele de forma neutra. Mas não quero aqui, neste momento, fazer polêmica. Quero tentar explicar e, no final, fazer uma reflexão.

A Bíblia, aqui em nossa parte do mundo, é conhecida em duas formatações ou dois cânones: o católico e o protestante. Em outras partes do mundo, há outras diferenças, pois existem igrejas, como a copta, do Egito, por exemplo, que não aceita o Apocalipse como parte do Novo Testamento. Mas isto é outro assunto.

A diferença fundamental entre uma Bíblia católica e uma Bíblia protestante é o número de livros. A Bíblia católica, dizem os protestantes, tem sete livros a mais, no Antigo Testamento. São livros como Tobias, Judite, Macabeus, Sabedoria, Eclesiástico, Baruque e mais alguns acréscimos a livros como Ester e Daniel. Esses livros aparecem misturados entre os outros. Judite, Tobias e os livros dos Macabeus aparecem junto com os livros históricos, mais ou menos ali onde se encontram Esdras e Neemias. A Bíblia protestante, dizem os católicos, tem sete livros a menos, no Antigo Testamento.

Aliás, nem todas as Bíblias protestantes são assim. A Bíblia de Lutero, que foi a primeira Bíblia protestante, tinha e ainda tem esses sete livros na Bíblia. Só que eles foram reunidos num bloco e colocados todos juntos entre o final do Antigo Testamento e o começo do Novo Testamento. Edições ecumênicas da Bíblia, isto é, edições feitas para servir tanto a igreja católica como as igrejas protestantes, são feitas assim: esses sete livros são colocados num bloco à parte, depois de Malaquias e antes de Mateus.

Como explicar essa diferença? É simples. A igreja católica decidiu, lá por 1540, que esses livros, que constavam da Bíblia (leia-se: do Antigo Testamento) em grego e em latim, deveriam continuar sendo parte da Bíblia. São chamados de deuterocanônicos, isto é, parte de um segundo cânone, uma segunda lista. Os protestantes não têm esses livros em sua Bíblia (como mostra, por exemplo, a tradução de Almeida) e dizem que são “apócrifos”, ocultos, não aceitos para leitura em público. Por que esses livros não estão na Bíblia protestante? Porque os protestantes entenderam e ainda entendem que o Antigo Testamento nos foi dado pelo povo de Israel, em hebraico. E a Bíblia Hebraica não tem esses sete livros (até porque foram escritos ou preservados originalmente em grego).

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Esta é uma discussão que pode ir longe. Quem está certo e quem está errado? Talvez a gente só vá saber de forma definitiva no dia do juízo final, se é que alguém vai se lembrar de perguntar. O que dá para saber - e vale à pena sublinhar - é que não é o acréscimo ou a falta desses livros que faz a grande diferença entre a teologia católica e a teologia evangélica ou protestante. O que faz a diferença é a interpretação e aplicação de passagens que estão na Bíblia que é comum a todos. Quer um exemplo? Mateus 16.18: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja”. Para os católicos, esta passagem, associada à tradição, fundamenta o primado do bispo de Roma. Ou seja, estaria a mostrar que o bispo de Roma (o papa) é o bispo dos bispos. Para os protestantes e também os ortodoxos (lá do Oriente), o texto não trata de nada disso. E aí temos um racha: os que têm o papa, e os que não o aceitam. A base para a discussão é um texto de Mateus, comum a todas as edições da Bíblia.

Concluo com uma reflexão: Qualquer que seja a edição da Bíblia que a pessoa usa, a mensagem central da mesma fica clara a todo e qualquer leitor. E esta mensagem é que as sagradas letras podem me tornar sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus. Quem lê a Bíblia com olhos e coração abertos, descobre que esta é a mensagem central. Muitos conhecem esta mensagem de Jesus e acreditam nela sem nunca terem lido a Bíblia. Mas é muito melhor conhecer o Salvador Jesus, crer nele, e ainda por cima ter a chance de ler ou escutar a sua Palavra - a Bíblia.

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