The Christian Post > Opiniões|Qui, 17 Mai. 2012 19:54 PM EST

É possível ser um jovem cristão no contexto contemporâneo?

Resgatando as essências da juventude cristã em uma sociedade pós-moderna. José, um jovem na essência de Deus – Gênesis 37

PorPaulo Siqueira | Colaborador do The Christian Post

É possível ser um jovem cristão no contexto contemporâneo? Essa é uma pergunta que reflete o grande desafio de ser um cristão atuante em um mundo que anda na contramão dos verdadeiros valores do cristianismo. À luz da história de um jovem, buscamos respostas para esses desafios.

O texto bíblico descreve a história do jovem José, seu pai, seus irmãos e todos os conflitos envolvendo essa família. O texto inicia, no capítulo 37, descrevendo que José era um jovem que tinha a admiração e o carinho do pai, ao ponto de despertar nos demais irmãos inveja e ira. José fora agraciado com um talento, que o diferenciava dos demais irmãos, talento esse que os incomodava ao ponto deles tramarem contra a vida de José.

Após armarem um plano maquiavélico, os irmãos conduzem José até o local onde o plano se realizaria. Porém, ao chegar no local, um dos irmãos interfere, não permitindo que José seja morto. Então, os irmãos lançam José numa cisterna e ali o deixam, até que José é vendido como escravo, sendo logo após levado para o Egito.

Essa é a primeira parte da história de José, e podemos entender, através desse texto, que alguns pontos são importantes:

1- José estava envolto em problemas familiares.
Quantas são as famílias que, nos dias de hoje, se fosse possível, venderiam seus membros? Nos dias atuais já vemos o extremo, pois somos diariamente chocados com as notícias de mães que lançam seus filhos ao lixo. José estava envolto com a ira familiar, despertada pelos seus talentos e pelo amor de seu pai.

Dentro da sociedade moderna, muitas são as armadilhas que têm por intenção destruir as bases essenciais da vida. Uma das bases principais é a família, pois além da herança genética a família forma valores concretos que são essenciais para a formação do caráter de cada indivíduo. Numa sociedade moderna, os problemas familiares são a razão de muitos dos problemas pessoais e também sociais, pois o que começa muitas vezes dentro do lar explode para toda a sociedade.

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2 – Os irmãos de José eram vítimas da mentira, da inveja e dos pecados ocultos.
Aqui está um grande problema dos dias modernos: a mentira e os pecados ocultos. Dois pecados que caminham juntos, pois se utilizam das mesmas armas: o uso de máscara e a simulação, ou seja, uma vida fantasiosa. Dentro da modernidade temos hoje o uso da internet, ou o mundo virtual.

Dentro do mundo virtual, cada indivíduo toma para sim um personagem, que mais serve para o exercício da mentira. Muitas vezes esse exercício se inicia até de forma pura, descomprometida, porém vai ganhando força, até tomar todas as forças do indivíduo. No mundo virtual tudo é possível, pode-se tomar qualquer forma, ou seja, se a pessoa não tem um padrão de beleza condizente com a sociedade, na internet é possível até formular uma foto, um perfil. É o mundo dos sonhos, principalmente nas mentes ainda em formação de muitos adolescentes e jovens. Aí mora o perigo, pois do outro lado da linha pode estar alguém muito determinado para o mal, ou até mesmo uma mente preparada para a destruição. Assim agem os pedófilos, os estupradores, prostitutas, homossexuais, e todas as mentes perversas desse imaginável mundo dos horrores. Lamentavelmente, muito jovens têm sido vítimas desse universo, que faz dos seres humanos peças descartáveis. O universo online é cruel, tem transformado as relações humanas em algo superficial, ou seja, tudo é líquido, sem forma, sem essência. Nada tem valor, a não ser satisfazer o prazer daquele que está do outro lado.

Essa forma de relação líquida tem influenciado em todas as relações humanas. Como exemplo disso tem a questão do namoro, que está quase extinto. O que temos hoje é o “ficar”, ou seja, uma forma passageira de se relacionar. Vindo das relações virtuais, o ficar é rápido, sem compromisso, e dura o tempo necessário para satisfazer uma das partes ou ambas. Pode ser repetido, mas nem sempre com a mesma pessoa. Assim como no mundo virtual, o ficar não se importa com a humanização do outro, é uma forma desumana de se relacionar, pois não se interessa com a realidade. Suas bases são a mentira, a ficção, ou até uma viagem. Isso tem criado uma geração desconectada com os valores essenciais da vida, não se importando com as reais necessidades da vida humana. É totalmente desligada da vida real, pois sempre age de forma autônoma, e sempre provida dos efeitos do álcool e até de drogas. Isso provoca dependência, provoca desequilíbrio social, provoca desligamento, pois é uma forma de vida oculta.

A prova disso está que sempre que um pedófilo é pego em ação, é um sujeito totalmente fora de qualquer suspeita. Para eles nada está errado, pois interpretam um personagem para saciar seus desejos ou desequilíbrios hormonais, que se tornaram um desequilíbrio social.

Para os jovens cristãos, esse universo é um sinal que sua relação com a igreja e a revelação da Palavra não está bem. A igreja é para a vida, pois se relaciona com a vida comunitária e seus representantes. Se há um desajuste social ou pessoal, a igreja também é vitimada. Para isso, a igreja deve estar conectada com as verdadeiras necessidades da sua comunidade. É preciso dialogar com os jovens, discutir os assuntos, ir de encontro com sua realidade. Isso faz parte da educação religiosa: fazer com que a igreja seja espaço para o crescimento, sem falsos moralismos; ser um meio para que o jovem cresça através da igreja e amadureça de força sadia e eficaz, sendo um suporte de ajuda para a família e a sociedade.

Ao contrário de seus irmãos, José estava certo que sua vida estava nas mãos de Deus. Para isso, se utilizava de seu talento para se desfazer das dificuldades da vida. Apesar de ser vendido como escravo se manteve na presença de Deus.

3 – Armadilhas da vida
Dentro da sociedade capitalista, somos educados para a competividade. Desde pequenos descobrimos que a vida é muito mais que respirar.

O jovem cristão se sente também desafiado a vencer os mecanismos que operacionalizam a vivência no mundo, mas para isso é preciso se utilizar dos valores cristãos, que estão acima dos valores deste mundo.

É um grande desafio viver esses valores, porque são contrários ao mundo. Onde a honestidade, a família, a solidariedade, o amor ao próximo, a compaixão são valores de destaque?

No mundo corporativo, as metas superam qualquer desses valores.

José foi um jovem que venceu com os valores de Deus. Até mesmo a tentação carnal foi vencida. Quem suportaria a tentação de José na situação em que ele estava? Hoje, muitos são os que se rendem a uma tentação em troca de uma promoção ou outros valores sociais.
Viver em uma sociedade moderna e ainda ser cristão é um grande desafio, porém temos que usar as armas de Deus.

Para isso, Deus nos dá sua maior arma: Sua presença através de seu Santo Espírito. Vencemos o mundo vivendo diante de Deus. Este processo podemos chamar de santificação. Ou seja, viver a cultura cristã dentro da cultura do mundo. Isso não é uma tarefa fácil. Imagine quantas noites José se lembrou dos seus irmãos, quantas noites teve saudades do pai, da família. Foi seduzido pelo ódio, pela raiva, porém permaneceu firme na presença de Deus.

Tenho visto muitas igrejas ensinarem seus jovens a viverem uma realidade distante da revelação bíblica. A bíblia não dá a fórmula para que sejamos anjos. Ao contrário. Deus, através de Sua Palavra, nos orienta a viver em um mundo em caos e apesar disso ainda continuarmos em Sua presença. Isso não quer dizer que não seremos afetados, isso não quer dizer que não vamos cair ou pecar.

Tenho visto líderes ensinarem jovens a negar sua própria fisiologia ou sua genética em prol de uma perfeição humana. Isso não existe, não podemos vencer a fisiologia humana com práticas religiosas. Isso não funciona.

A luta entre carne e espírito é antiga. Muitos homens de Deus, até mesmo na bíblia, sucumbiram diante das tentações da carne.

É preciso definir o que realmente é santificação. Deus, em Sua infinita sabedoria, sabe nossa verdadeira natureza e sabe do que somos capazes. Porém nossa vida é um processo contínuo de crescimento, tanto espiritual como na vida natural.

Santificação não nos capacita a não pecar mais, mas sim nos dá forças para nos reconhecermos diante de Deus. Ou seja, a santificação não deixa em nós forças para usar máscaras diante de Deus. Não deixa que venhamos a nos esconder diante dos nossos cargos ou posições dentro da igreja. O processo de santificação faz com que sejamos nós mesmos diante de Deus a cada dia. Com o amadurecimento, cada dia que passa estaremos mais transparentes diante de Deus e isso cria uma integridade sem fim.

Não me santifico para ser um cristão especial, mas ao contrário, quanto mais íntegro a Deus estou, mais enxergo o meu próximo.

Não me santifico por mim, mas pelo meu próximo, pois se anulo a mim mesmo reconhecendo minha verdadeira condição, isso faz com que meus desejos e vaidades sejam colocados de lado, para que meu espírito viva as realidades de Deus. Santifico-me para que o Espírito de Deus possa se revelar a mim e também aos que me cercam. Quando isso acontece, estou pronto a viver a plenitude de Deus no mundo, e assim posso viver de forma prática o grande mandamento de Deus, “amar ao próximo como a mim mesmo”. Não podemos resumir nossa vida espiritual em duas horas de culto semanal. O processo de santificação é cotidiano, pois é na nossa vida diária que os valores cristãos vão se perpetuando.

A vida de José é um grande exemplo de viver as essências de Deus em um mundo contrário. José não venceu por suas forças, mas por sua obediência e santificação diante da vontade de Deus.

4- Os verdadeiros inimigos da santificação
Prestígio, vaidades, secularismo, pragmatismo, desejos, poder e muitos outros mais, que procedem do mesmo fim: saciar minha sede dos prazeres deste mundo. José poderia se esquecer de sua família, pois já estava em posição confortável. Tinha dinheiro, poder político, porém seus valores falaram mais alto. Nada tinha sentido sem sua família.
Quantos são os que se atiram em viagens para outros países, deixando para trás família, amigos, indo em troca de saciar os prazeres da vida. Muitos atingem seus objetivos, porém muitos são os que voltam de forma até pior do que foram. José fez o contrário. Socorreu sua família e perdoou seus irmãos, demonstrando que seus valores superavam até mesmo sua cultura.

Através da história de José podemos ver que um jovem, apesar dos enormes desafios frente ao mundo contemporâneo, pode vencer, pois os verdadeiros valores do Evangelho puro e simples de Jesus possibilitam o resgate de uma vida ética e moral, mesmo que isso contrarie a lógica do mundo. Fazer a vontade de Deus capacita-nos a ser instrumentos de Deus no mundo caótico em que vivemos, pois um jovem na essência de Deus responderá ao mundo de forma simples e verdadeira, pois faz parte dos propósitos de Deus.

”Não se aparte da tua boca o livro desta lei; antes medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme a tudo quanto nele está escrito; porque então farás prosperar o teu caminho, e serás bem sucedido”. – Josué 1:8

Vivamos para Deus como Ele vive em nós.
Graça e paz.

Rev. Paulo Siqueira é Fundador do Movimento pela Ética Evangélica Brasileira (pedrasclamam.wordpress.com.). Tem Bacharel em Teologia pela Universidade Metodista de São Paulo, Pós Graduação em Filosofia Contemporânea e História pela Universidade Metodista de São Paulo e Especialização em Didática para o Ensino Superior pela Universidade Anhanguera de São Paulo. Foi pastor pela Igreja Quadrangular em diversas cidades de SP e PR .
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