The Christian Post > Cotidiano|Sex, 22 Mar. 2013 10:26 AM EST

Enem teve mais de 300 corretores afastados, segundo Inep

Os supervisores verificaram que eles não cumpriam os requisitos de qualidade

PorMaria Carolina Caiafa | Correspondente do The Christian Post

O presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Luiz Cláudio Costa, afirmou que mais de 300 corretores contratados para avaliar as redações do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2012 foram afastados do processo de correção das provas por falta de qualidade, segundo avaliação dos supervisores.

  • Luiz Cláudio Costa/presidente do Inep
    (Foto: Divulgação/Inep)
    Luiz Cláudio Costa é presidente do Inep em 2013.

As redações de dois estudantes levantaram o debate sobre o critério de correção do Enem nesta semana. Uma delas tinha trechos de receita de miojo e a outra trazia fragmentos do hino do palmeiras em um texto cujo tema era imigração no século 21 no Brasil. Ambos tiveram uma pontuação de cerca de 500 pontos em 1.000.

Na edição de 2012, o número de corretores aumentou em 40%, principalmente porque as regras da correção foram alteradas e previam um aumento no número de redações que passariam por um terceiro corretor. Os textos são geralmente corrigidos por dois revisores. Se em uma ou mais das cinco competências avaliadas, a diferença entre as notas dos dois avaliadores for maior que 80 pontos, um terceiro corretor dá a nota daquela competência. Esse terceiro avaliador também é acionado se a diferença da soma total das cinco competências for superior a 200 pontos.

Foram contratados 5.692 corretores, 234 supervisores de avaliação, 468 auxiliares e dez subcoordenadores pedagógicos para o processo de avaliar as redações, segundo o Inep. O número de avaliadores afastados representa menos de 6% do total.

Professores convocados pelo Ministério da Educação (MEC) para corrigir as redações do Enem em 2012 receberam pela tarefa R$ 2,35 por texto avaliado. Esses corretores têm um grande volume de trabalho para fazer em um curto espaço de tempo: são mais de quatro milhões de redações para 5.683 avaliadores em menos de um mês.

O presidente do Inep negou que os corretores tivessem uma carga de redações acima do ideal para que a correção fosse criteriosa e disse que o preço pago por redação corrigida aumentou de R$ 1,65 em 2011 para R$ 2,35 em 2012. "O valor é extremamente coerente com o que se paga em todas as universidades", afirmou Costa.

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Para contratar os corretores, Costa contou que enviou ofícios a todas as universidades públicas do país pedindo que os reitores das instituições indicassem profissionais formados em letras com experiência no assunto. O diploma de graduação no curso de Letras é um requisito obrigatório para que o profissional atue na correção e, segundo o presidente do Inep, a titulação é confirmada nos casos em que o avaliador não é indicado em ofício pelos dirigentes das universidades. Segundo o MEC, os avaliadores são convocados por servidores regionais.

O Inep disse que todos os avaliadores contratados receberam treinamentos presenciais e à distância durante um período de 100 dias. Antes da data do Enem, eles passaram por dois testes: no primeiro, eles deveriam corrigir redações com temas aleatórios e, depois da realização do Enem, os corretores treinaram a correção de redações com o tema da prova: "Movimento imigratório para o Brasil no século 21".

Costa afirmou ainda que as regras da correção da prova de redação podem mudar novamente neste ano: por exemplo, anular as redações com trechos que caracterizem "deboche" e trocar o sistema de pontuação para que, em vez de uma nota de 0 a 1.000, o estudante seja avaliado por meio de conceitos.

O edital do Enem 2013 deverá ser divulgado em maio. A comissão responsável tem quatro membros do próprio Inep e quatro membros de outras instituições do país. Costa explicou que, no Brasil, existem várias correntes e opiniões sobre a avaliação pedagógica de uma redação e que o órgão considera os diferentes argumentos. "Essa discussão técnica é boa. Algumas pessoas dizem que a nota mil tem que ser assim dessa forma, que pode ter alguns desvios, mesmo quando estudantes mostram que têm domínio da norma", diz ele, citando também outros pensadores que defendem que uma redação com nota máxima não pode ter nenhum erro.

"O edital, como nós tivemos do ano passado para esse, é um sistema em evolução, temos muita humildade para ouvir as opiniões", finalizou o presidente do Inep.

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