The Christian Post > Cristianismo|Sex, 31 Ago. 2012 17:00 PM EST

Entrevista: Autor de ‘Eu quero uma Igreja – Nova Reforma Protestante’ expõe suas frustações com a igreja evangélica (P-3)

“Quando se descobre o que é amar, se descobre o que é falar a verdade”

PorAndrea Madambashi | Repórter do The Christian Post

Muitos cristãos estão decepcionados com o sistema religioso do país, denunciando o templo-centrismo, a teologia da prosperidade, corrupção nas igrejas, excesso de emocionalismo, distorção da Palavra de Deus, entre outros.

  • Ádryan
    (Foto: Arquivo Pessoal)
    Ádryan Krysnamurt Edin da Luz, autor do livro "Eu quero uma igreja - Reforma Protestante".

Frente à uma crescente população evangélica do Brasil, existe uma preocupação grande com qual direção a igreja brasileira está se conduzindo e conduzindo os fieis. E em meio disso, alguns evangélicos expressam um clamor de dentro de seus corações por uma igreja verdadeira constituída não de alvenaria, mas de pessoas que têm como seu centro Jesus Cristo.

Veja também: Entrevista: Autor de ‘Eu quero uma IgrejaNova Reforma Protestante’ expõe suas frustações com a igreja evangélica (P-1)

Como o fruto de um esforço de se recuperar o sentido da Igreja de Cristo no Brasil, o autor Ádryan Krysnamurt Edin da Luz escreveu o “Eu quero uma Igreja – Uma Nova Reforma Protestante”. No livro, ele explica sobre o movimento “Eu quero uma Igreja” já existente, onde se propõe a união de cristãos de diferentes denominações e lugares do mundo, em nome de Cristo para a criação de uma igreja verdadeira, realizando cultos online, debates e estudos bíblicos.

Veja também: Entrevista: Autor de ‘Eu quero uma Igreja – Nova Reforma Protestante’ expõe suas frustações com a igreja evangélica (P-2)

Ádryan contou em entrevista exclusiva ao The Christian Post sobre suas frustrações na igreja evangélica brasileira, as razões que o levaram a conduzir o movimento, frutos do movimento e o que ele pensa de questões como a música gospel antropocêntricas, ou de entretenimento.

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Confira a 3° parte da entrevista:

CP: Algumas igrejas você citou como as neopentecostais, que saem das convenções eclesiásticas e se expandem, como a Igreja Mundial do Poder de Deus, por exemplo, têm sido muito criticadas por sua teologia e práticas da doutrina e do excesso de emocionalismo como apontada por alguns líderes de igrejas tradicionais. Como funcionaria a corregedoria eclesiástica do Eu quero uma Igreja, neste caso, para fazer com que as diferentes denominações tenham doutrinas e práticas compatíveis com o Evangelho de forma homogênea?

Ádryan: Como na vida natural, um médico primeiro analisa a saúde física, examinando, e então a receita com a medicação. Como numa ferida, onde primeiramente abre-se, analisa-se, e então aplica-se o medicamento para cicatrização. Como numa limpeza, onde detecta-se a gravidade do problema, vê-se os materiais de limpeza a serem utilizados (Malaquias 3:2), para então atuar. Desta maneira na vida espiritual, o ministério de Corregedoria Eclesiástica atua em duas partes. A primeira é denunciar a podridão eclesiástica, a sujeira debaixo dos tapetes religiosos, pois somos da luz, e nada pode ficar encoberto; observando que o escândalo vem por quem pratica o erro e não por quem denuncia, como sempre fizeram os profetas. Por exemplo, o que vemos hoje, são ministérios inchados de gente, por conta de uma palavra de vitória imediata, onde crente não pode sofrer de doença ou pobreza.

Portanto, muitos procuram essas denominações neo-pentecostais afim de alcançar este favor divino, pois as palavras são minuciosamente preparadas para manipular e fazer com que as pessoas sejam levadas para onde se quer. Ouvimos nessas denominações, palavras de autoajuda, hipnose, 'deusificação' humana, gnosticismo etc... Onde a verdadeira mensagem da cruz fica pra outro plano ou por último. No segundo momento, a Corregedoria Eclesiástica, após expor a ferida, apresenta a cura e a solução: Cristo Jesus nosso Sumo Pastor, verdadeiro Templo, (João 2:19,20 e 21), corpo este, do qual somos membros, e consequentemente, a prova de que o cristão chegou nesta maturidade é, a vivência de Tiago 1:27.

CP: Qual é a sua experiência até o momento, debatendo com crentes de diferentes denominações? Quais são os maiores frutos do debate ou as experiências mais marcantes?

Ádryan: A vida prática de 1ª Coríntios 13, suportar uns aos outros em amor é minha grade experiência, que eu já tinha pessoalmente com irmãos, mas nunca com pessoas de várias partes do mundo e de várias linhas e ideologias de fé através da rede mundial de computadores. Muitos ali são denominacionais, 'desigrejados', e a maioria são cristocêntricos que 'vestiram a camisa' do projeto Eu quero uma Igreja. Pessoas que reconciliaram com Cristo, aceitaram a Cristo como único Salvador, outras que saíram do templo-centrismo, e entenderam o que é ser cristocêntrico. Grandes vitórias, como a chegada do Dr. Pedroza, outros pastores que se uniram ao projeto, palestrantes, pregadores de seitas e heresias, e principalmente nossa primeira ação social, a inauguração do primeiro núcleo e do nosso primeiro encontro e simpósio, que já está sendo organizado, e ainda, nossa primeira ceia de maneira online, um momento histórico para Igreja de Cristo, que decidido por unanimidade, será feita mensalmente.

CP: Você já convidou pessoalmente líderes de outras igrejas para participarem do debate? Algum líder conhecido já aceitou? E se há como tem sido a repercussão de seus convites?

Ádryan: Já foram convidados alguns pastores. Tivemos alguns presentes, e outros que frequentam assiduamente as nossas atividades. Líderes famosos foram também convidados, como o Pastor Silas Malafaia, o qual foi comunicado pelo site e Email, mas nunca se quer respondeu. Por outro lado, temos a presença do Dr. José Renato Pedroza, homem de Deus destemido, que não só aceitou o convite, como agora já faz parte da liderança do projeto.

CP: Como você vê a música gospel hoje? Como simples entretenimento, ferramenta de evangelismo ou adoração?

Ádryan: Bem esse é um assunto bem pertinente e atual, pois muito se debate sobre ele. A música de maneira genérica, é uma expressão artística, na perspectiva geral. Porém, quando falamos de louvor e adoração, as coisas mudam. Na atualidade vemos a existência de um mercado musical no meio evangélico, onde se fabricam músicas para agradar diferentes tipos e gostos. Como as denominações estão cheias de milhões de pessoas, vislumbrou-se um mercado, onde fica fácil ganhar dinheiro, não só com vendas de CDs e DVDs, mas também com espetáculos e shows, onde nestes, vemos artistas gospel sendo literalmente ovacionados e por muitos idolatrados, sem mesmo saberem se estes artistas vivem o que pregam ou cantam.

No livro eu abordo este assunto, lamentando o fato de que, as músicas hoje, são de melodias copiadas, ou letras de autoajuda, falando do homem pra homem, são músicas templo-cêntricas ou antropocêntricas, não falam mais do homem pra Deus, como de fato é a adoração. Ao ponto que, as pessoas vão inúmeras vezes para as denominações e voltam vazias, se sem quer derramar uma lágrima, (não generalizando, é claro) ou, se derramam é por pura emoção do conteúdo psicológico e de entretenimento. Por falar em entretenimento, sou bem conservador neste ponto, creio que o entretenimento seja o substitutivo do diabo para a verdadeira alegria no Espírito Santo. A música cristã precisa ser cristocêntrica, sem nenhum artifício para ganhar e chamar jovens, pois basta ler e entender João 6:60 a 71. O problema é tão grande que a maioria hoje pensa como a mulher samaritana (João 4:20 ao 26), sendo que os verdadeiros adoradores adoram em espírito e em verdade, em qualquer lugar, a qualquer momento.

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