The Christian Post > Cristianismo > Jovens|Qua, 22 Set. 2010 16:59 PM EST

Entrevista: Pastor Ciro Fala Sobre o Evangelismo, 'Vale-Tudo' na Evangelização?

PorCiro Sanches Zibordi | Colunista Convidado do The Christian Post

Desde pregações em massa até os ringues de vale-tudo, pastores e Igrejas têm criado diferentes métodos de evangelimo em todo o mundo. Alguns pastores e grandes evangelistas, como Luis Palau e Billy Graham têm colocado em dúvida sobre se os resultandos são bons para a formação da fé do recém-convertido ao Cristianismo. No Brasil, país onde os evangélicos constituem o grupo de maior crescimento anual (segundo o IBGE), alguns métodos evangelísticos têm chamado atenção por utilizarem meios contextualizados ao ambiente secular.

  • Ciro

Em entrevista concedida ao The Christian Post, o Pastor Ciro Sanches Zibordi comenta sobre o evangelismo e os métodos evangelísticos utilizados pelas Igrejas no Brasil.

CP: Um dos seus artigos em seu blog fala sobre o método de evangelização em um evento evangelístico no Brasil (“vale-tudo na evangelizacão”), em que você comenta que a pregação expositiva da Palavra de Deus está sendo descartada ou menosprezada em favor de novos métodos. Poderia comentar-nos brevemente sobre a idéia do artigo sobre tais métodos “mundanos” praticados pelas Igrejas do Brasil?

Ciro Sanches Zibordi: A pregação expositiva, de fato, está em processo de extinção nas igrejas evangélicas, de maneira geral, não apenas no Brasil. O espaço destinado à pregação está sendo ocupado por atrativos diversos. Está havendo uma substituição do Evangelho cristocêntrico pelo antropocêntrico. Priorizam-se o povo, o público, os anseios do ser humano, e não o que deveria ser o objeto da nossa adoração e da nossa pregação, isto é, o Senhor Jesus (1 Coríntios 1.22,23; 2.1-5). O apóstolo Paulo disse: “Fiz-me tudo para todos, para, por todos os meios, chegar a salvar alguns” (1 Coríntios 9.22). Mas alguns líderes evangélicos estão pensando que esse texto autoriza todo e qualquer tipo de atrativo mundano, como street dance, luta livre, imitações de astros da música pop, etc. Esses líderes precisam considerar também 1 Coríntios 10.23. Afinal, todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm ou edificam.

Em meu livro “Evangelhos que Paulo Jamais Pregaria”, publicado no Brasil pela CPAD (Casa Publicadora das Assembleias de Deus), em 2006, eu discorro sobre o evangelho do entretenimento e menciono alguns “métodos” mundanos, como o emprego da festa junina e do dia de Halloween, rebatizados como festa jesuína e dia de Elohim. Ou seja, certos líderes dão às pessoas o que elas “querem,” e não o que elas “precisam.” Isso é um exemplo de má contextualização, pela qual se produz Cristãos com uma visão errada do Evangelho. Se oferecermos um Evangelho pop, vamos criar cristãos pop, ao invés de verdadeiros seguidores do Senhor Jesus, dispostos a negar o eu e tomar cada dia a sua cruz (Lucas 9.23).

CP: Com relação ao método de evangelismo, grandes evangelistas, como por exemplo Luis Palau, têm posto dúvidas com relação ao seu método de evangelização em massa. Eles alegam que isso poderia estar criando uma geração de jovens que facilmente tropeçam em sua vida na fé. Você acredita que a evangelização em massa é eficaz?

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Ciro Sanches Zibordi: As grandes cruzadas não trazem mais o resultado esperado, pois o mundo mudou, as pessoas mudaram - elas raramente têm paciência para ouvir uma exposição da Palavra. Lembro-me de um tempo em que as igrejas promoviam, não apenas eventos de grande porte, mas também modestos (porém eficientes) cultos ao ar livre, que tinham a pregação do Evangelho como a tônica. A geração de hoje é tecnológica, musical, viciada em Internet. Mas não creio que um método de evangelização - desde que não seja inapropriado (como os citados na resposta anterior) -, em si mesmo, contribua para os jovens tropeçarem em sua vida de fé. Afinal, a evangelização, seja qual for o método empregado, é apenas o início da comunicação do Evangelho. Nenhuma estratégia de comunicar o Evangelho, por melhor que seja, será eficaz o bastante caso não haja um contínuo trabalho de discipulado pelo qual se incentive o salvo a permanecer em Cristo (1 Coríntios 15.1,2).

CP: Como você relaciona o tipo de método evangelístico empregado com a formação da fé Cristã?

Ciro Sanches Zibordi: Como eu já disse, o método de evangelização é apenas uma forma de levar uma pessoa a ter um contato inicial com o Evangelho. A partir do momento em que ela é evangelizada e aceita o convencimento do Espírito Santo para a salvação em Cristo (João 16.8-11), a igreja precisa começar a discipulá-la (1 Coríntios 3.6). A Grande Comissão não se restringe à pregação do Evangelho (Marcos 16.15). O Senhor Jesus também ordenou que façamos discípulos de todos os povos (Mateus 28.19). E o discipulado é um trabalho contínuo. Jesus chamou a doze homens e, enquanto esteve com eles, não cessou de ensiná-los enquanto esteve na terra (Atos dos Apóstolos 1.1-11). Mesmo assim, um deles - Judas Iscariotes - se desviou (Atos dos Apóstolos 1.25).

CP: Qual é sua visão geral do evangelismo no Brasil nos últimos anos?

Ciro Sanches Zibordi: Estamos evangelizando pouco no Brasil. E, quando evangelizamos, estamos adotando estratégias erradas, priorizando as preferências das pessoas, e não a exposição do Evangelho. Priorizamos o que as pessoas gostam (antropocentrismo), e não o que elas precisam (cristocentrismo). O estratagema mais usado no Brasil - se é que podemos chamar isso de um estratagema de evangelização - é o show. Realiza-se um grande ajuntamento de pessoas, astros da música gospel comparecem, cantam e dançam, promovem entretenimento e depois chamam as pessoas à frente. A impressão que se tem é que esse método é eficiente, porém a maioria ali está interessada apenas no som, na batida, na dança, na performance dos músicos, na diversão, no seu ídolo, etc. Precisamos voltar a pregar o Evangelho com simplicidade (2 Coríntios 11.3), confrontando o pecado e apresentando Cristo como Senhor e Salvador.

CP: De maneira geral qual é a sua avaliação sobre a fé do Cristão no Brasil?

Ciro Sanches Zibordi: De maneira geral, avalio que há muitos cristãos nominais e poucos praticantes. Vejo que a quantidade de pessoas que se dizem e pensam ser evangélicas é grande. Entretanto, são poucos os seguidores de Cristo, aqueles que se converteram realmente, capazes de defender a razão da sua esperança com mansidão e temor (1 Pedro 3.15). São poucos os que lêem a Bíblia diariamente, oram e evangelizam os seus colegas de trabalho e de escola. E são muitos os que seguem à falaciosa Teologia da Prosperidade e que ficam “decretando” isto e aquilo, aqui e ali, sem, contudo, viver de modo exemplar perante a sociedade. Precisamos de um reavivamento. Mas isso não é uma necessidade exclusiva do Brasil. Tenho viajado um pouco pelo mundo e observo que tem acontecido o que Jesus previu em Mateus 24.12: aumento da iniquidade e esfriamento do amor.

CP: Quais são os desafios que o Brasil tem que superar para obter sucesso nas evangelizações de maneira a trazer para as pessoas uma fé verdadeira?

Ciro Sanches Zibordi: O que precisamos, para superar qualquer desafio é de cristãos verdadeiros, cheios do Espírito. Muitos líderes supervalorizam os métodos, acreditando que são eles os responsáveis pelo crescimento da Igreja. Os métodos podem ser eficazes para ajuntar gente, atrair multidões. Mas estamos falando de evangelização, e evangelizar implica comunicar - comunicar, mesmo! - o Evangelho verdadeiro, a fim de que haja verdadeiramente salvação. Por que a Igreja primitiva obteve êxito na evangelização, mesmo sem ter os recursos tecnológicos de que dispomos? No livro de Atos dos Apóstolos está escrito que os crentes eram cheios do Espírito Santo, e que “os apóstolos davam, como grande poder, testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça” (4.33).

CP: Como Pastor, quais são suas palavras de motivação para os jovens Cristãos do Brasil neste caminho da fé, e para aqueles que ainda não entregaram suas vidas a Cristo?

Ciro Sanches Zibordi: Como a tônica desta entrevista é a evangelização, a minha palavra é para que eles não se esqueçam de que a vida cristã não se resume a música e louvor. Estamos formando uma geração de jovens cantores e músicos. Isso, em parte, é bom. Mas o mundo precisa de pregadores do Evangelho, que sejam verdadeiros adoradores. São poucos os jovens, hoje, que se interessam pelo estudo da Bíblia, porém há muitos que se interessam pela música. Nada tenho contra a música, porém a priorização dela por parte dos jovens mostra o quão superficial é a sua fé. Diz a Palavra do Senhor: “como ouvirão, se não há quem pregue?” (Romanos 10.14). E aqui é pregar mesmo, no sentido de expor a Palavra de Deus, e não cantar e dançar diante de uma platéia. Se cantar e dançar fossem a prioridade da Igreja, o Senhor teria promovido muitos shows por onde passou. Ele até cantou, ao andar na terra, mas dois terços do seu ministério foram dedicados à exposição da Palavra.

Para os jovens que ainda não entregaram a sua vida a Jesus, o meu conselho é o que está em Eclesiastes 12.1: lembrem-se do Deus Criador enquanto vocês são jovens. Todo ser humano possui um inexplicável vazio dentro de si que não pode ser preenchido com música, divertimento, prazer sexual, consumo de drogas, consultas psiquiátricas, consumismo, etc. Somente a salvação em Cristo Jesus pode preenchê-lo. Entreguem-se, pois, ao Senhor Jesus e o sigam, atendendo ao seu chamamento: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mateus 11.28).

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