The Christian Post > Cotidiano|Qui, 2 Mai. 2013 19:07 PM EST

Ex-universitária de letras da UFSCar e prostituta relata suas experiências em blog

O espaço virtual conta casos dos clientes e recebe, em média, 2 mil visitantes por dia

PorMaria Carolina Caiafa | Correspondente do The Christian Post

Gabriela Natália da Silva, ex-estudante de letras da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), aos 21 anos, já havia concluído a graduação em uma renomada instituição pública. A garota ficou célebre, após o portal G1 publicar uma matéria contando sua história: Gabriela trabalha como garota de programa e criou um blog, no qual relata suas experiências com os clientes. A moça, que utiliza o pseudônimo Lola Benvenutti, diz que deseja quebrar o tabu em torno do sexo. “Sempre gostei de sexo, então tinha um desejo secreto de trabalhar com isso e não há nada mais justo, faço porque gosto”.

  • Lola Benvenutti
    (Foto: Blog/Lola Benvenutti)
    Lola Benvenutti é o pseudônimo da graduada em letras, pela UFSCar, Gabriela Natália da Silva.

Ela nasceu em Pirassununga, na região centro-leste do estado de São Paulo (SP). Mudou para São Carlos, também no mesmo estado, para fazer faculdade. Gabriela buscou manter, com discrição, sua identidade como prostituta até concluir o curso. “Fiquei com um pouco de medo de isso reverberar de alguma forma na faculdade, então achei melhor terminar a graduação para colocar o blog no ar”, reflete ela.

O espaço virtual recebe cerca de duas mil visitas por dia e, é nele, que Lola posta casos comentando sobre parte das relações que teve com os clientes. Gabriela chega a atender até cinco fregueses por dia e, em seu blog, é possível perceber que ela já trabalhou atendendo várias pessoas simultaneamente.

Sobre a possibilidade de ser professora no futuro, Gabriela afirmou que gostaria, mas que pode ser difícil. “Também quero dar aula, mas por hobby, e, além disso, também tem a questão financeira, porque dando aula hoje você quase não se sustenta [...] Acho que as duas coisas são difíceis de casar, é muito difícil que uma escola que sabe o que eu faço [prostituição] me permita trabalhar, vou ter que derrubar barreiras”, explicou.

O blog, além de divulgar o trabalho de Lola, serve para discutir e desmistificar o sexo. “As pessoas são hipócritas, vivem de sexo, veem vídeo pornográfico, mas não falam porque têm vergonha”, avaliou a garota.

Após a publicação do artigo sobre Gabriela no G1 na segunda-feira (29), o caso está sendo comentado e discutido nas redes sociais. A reportagem foi recomendada por mais de 44 mil pessoas até esta sexta-feira (3).

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No blog de Lola, ela expõe diversas opiniões sobre sua escolha e levanta o debate sobre a questão. Por exemplo, a internauta Maíra conta que escolheu ter um homem só e uma “casa arrumadinha”, ou seja, uma opção de vida diferente de Gabriela e, que mesmo em caminhos distintos, cada uma é legitima no seu jeito de ser e vive sua verdade.

“Fizemos estas escolhas para nossas vidas e somos felizes com elas. Eu sou feliz, Gabi é feliz! E mesmo com escolhas tão diferentes, nesses anos de faculdade e amizade sempre nos demos muito bem. Há RESPEITO entre nós”, defende a ex-colega de universidade.

Já o poema de Maria Sílvia Cintra Martins questiona: “Já dizer que é inteligente/Estudada ou muito culta/É esquecer toda a luta/Dessa nossa mulherada/Ao derrubar os tabus/De gênero, raça e labuta/Mas não pra retroceder /À tal profissão tão antiga/Que fez da mulher objeto/Em mãos já tão pouco amigas”.

No blog, Gabriela descreve Lola como “Uma garota simpática, bela e que adora sexo! [...] Dona de uma personalidade autêntica, não ligo a mínima para quem fala mal de mim. Prefiro focar naqueles que me adoram e me fazem bem. [...] Sou culta, estudo em uma universidade pública e falo inglês e espanhol fluentemente”.

Ainda na reportagem do G1, Gabriela contou que pretende se mudar para a capital São Paulo (SP), onde vai continuar trabalhando como garota de programa e, paralelamente, deve cursar o mestrado na Universidade de São Paulo (USP): “quero pesquisar na área de prostituição ou fetiche [...] Desde os 14 anos estudo o sadomasoquismo, que hoje está ficando mais popularizado com a ajuda do livro "Cinquenta Tons de Cinza”.

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