The Christian Post > Vida|Qua, 13 Fev. 2013 18:30 PM EST

Executivo é mescla perfeita entre a suavidade e a precisão

Estar atento às outras pessoas pode ajudar no mercado financeiro

PorGislaine Araújo | Correspondente do The Christian Post

Paulistano, o administrador de empresas Robert John Van Dijk também é um cidadão universal com várias influências. Pelo lado materno, o executivo é neto de ingleses que viveram na Ilha da Madeira, em Portugal. O pai deixou a Holanda, após a Segunda Grande Guerra e veio para a Venezuela, onde conheceu a mãe trinitária (procedente de Trinidad Tobago). Como adoravam viajar e buscavam novas oportunidades, casaram-se na Espanha, porém, ao conhecerem o Brasil decidiram ficar por aqui. Espiritualista e ecumênico, ao trazer em seu DNA o gene aventureiro, Robert tornou-se adepto de novas experiências: esteve em Machu Picchu, no Peru, para conhecer melhor o ritual Inca; estudou o judaísmo; conheceu Chico Xavier e gosta de ler sobre outras religiões. Zen mas sem perder o foco, ele mistura simpatia e racionalidade. Chegou a lidar com o dinheiro de 3,3 milhões de investidores (entre pessoas físicas e jurídicas), movimentando quase que diariamente cerca de R$ 165 bilhões em diferentes carteiras de fundos (aproximadamente US$ 100 bilhões), contando com 114 pessoas em sua equipe em um grande banco, o executivo usa o diálogo para alcançar seus objetivos.

CP: Em que momento o senhor escolheu ser Administrador de Empresas?

Robert: Na época do vestibular, pensei em Medicina porque era uma área voltada para as questões humanas; outras vezes considerava Psicologia ou Psiquiatria, especificamente. Porém, quem me incentivou a ir para a Administração foi o meu padrinho Luiz Gonzaga Bertelli, hoje presidente do CIEE (Centro de Integração Empresa-Escola, organização filantrópica). O saudoso Hélio de Paula Leite, um dos criadores do índice Bovespa, convidou-me para ingressar no escritório da corretora dele, em 1978. Foi o meu começo. Depois, fui para a Schain Cury Corretora de Câmbio e Valores. Fiquei muito tempo lá (1979 a 1997). Em 1990, houve a transformação da Schain Cury em banco múltiplo. Ajudei a enxugar o quadro. Isso doeu. Tive de exercitar para que o banco continuasse navegando, vivenciei diversas situações. Na economia e na vida as coisas são cíclicas. A cada crise, um novo aprendizado – elas não são iguais. No contexto geral, são únicas.

CP: No mercado financeiro, as crises são transformadas em oportunidades?

Robert: Toda crise transformamos em oportunidade, conforme o ideograma chinês. Na última, tivemos melhores diagnósticos do que se poderia imaginar e enfrentar. Traçamos planos, estabelecemos ações para consertar o rumo, corrigimos alguns processos, porque você se depara com uma realidade que você não pode negar... Vale ressaltar que o mundo viveu quase que uma crise sistêmica financeira, que exigiu um esforço enorme. Nós, no Brasil, ficamos numa situação singular. O mercado interno pungente e as contas fiscais que conseguiram se fechar foram fundamentais. Estamos num patamar diferenciado: tivemos uma curva de aprendizado importante. O Brasil deixará de ser emergente, em breve, assim como a China, a Índia.

CP: Ser líder facilita a recuperação numa situação de risco?

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Robert: A liderança é uma consequência. Somos líderes em inovação, em relacionamento com colaboradores, clientes, tudo isso faz parte. Estamos sempre entre as melhores empresas para se trabalhar. A Moody’s (agência internacional de classificação de risco no mercado financeiro) classificou o nosso trabalho como o maior rating de Qualidade de Política de Gestão internacional ( o chamado triplo AAA), referente a empresas de administração de recursos, o MQ1. Atingimos o grau máximo.

CP: A entrada no mercado de ações foi por acaso?

Robert: Fui pioneiro com a Schain Cury no mercado de ações, trabalhando com papéis da Petrobras, nas décadas de 1970/1980. Introduzimos os mercados a termo e futuro. A corretora na época alcançou os primeiros lugares no Brasil, com a nossa capacitação técnica. Vale lembrar que o primeiro contrato de opções surgiu ligado ao mercado de flores, especificamente de tulipas, na Holanda. Uma coincidência, se considerarmos meus antepassados.

CP: O senhor lida de que forma com a relação risco/retorno do mercado financeiro?

Robert: Precisamos de assertividade nas decisões, em relação aos investimentos focados. Procuro sempre o diálogo para chegar a um comum acordo porque, ás vezes, os riscos são grandes, entretanto, calculados.

CP: Para cada segmento existem especialistas?

Robert: Sim. Tenho equipes para o mercado acionário, renda fixa, de multimercados, hedge, analistas de investimentos, economistas, compliance, comercial, administrativa, varejo, private, renda variável, além da área jurídica. A BRAM foi a primeira empresa a obter o certificado da ISO 2001, no ano 2000, pela Fundação Vanzolini, em relação à Política de Qualidade de Gestão. Foi muito importante porque se investiu muito em processos e procedimentos na área. Trabalhamos em sistema de comitê também no controle acionário.

CP: Existe uma preocupação do senhor também com o lado humano na empresa?

Robert: Várias ferramentas podem ser utilizadas pelo gestor. O método miles in bricks, por exemplo, é um teste voltado ao mundo corporativo que desvenda 16 tipos de perfis psicológicos, e é dividido em quatro grupos. Há um cálculo no sistema, que é denso, mas quem executa o trabalho são seres humanos, sensíveis, com desejos, sonhos, angústias. Funciona assim: primeiro, você se conhece; depois, os demais passam a se conhecer e vice-versa. Isso auxilia no team building process, ou seja, no desenvolvimento do trabalho em equipe. A partir das nossas diferenças construiremos algo em comum. No mercado financeiro, isso também é importante. Tenho de saber lidar com os diferentes tipos de pessoas – extrovertido, introvertido, sensorial, intuitivo, julgador, perceptivo. As nossas diferenças devem ser aceitas, mas haverá momentos que uma outra característica falará mais alto. Somos mais de 6 bilhões de pessoas no mundo e todas diferentes.

CP: Que procedimentos o administrador deve ter nos dias de hoje?

Robert: O conhecimento técnico é fundamental. Atualmente, o papel do profissional é também saber todo o processo de trabalho, o que é específico, técnico. A base para que toda estratégia seja implantada e funcione será tudo aquilo que você define como objetivos e metas. Atento e preocupado, sim; mas nunca com medo.

CP: Grandes eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, no Brasil, impulsionarão investimentos?

Robert: Sem dúvida! O Rio terá uma oportunidade única, de se resgatar, de elevar o nível de empregabilidade. Irá gerar receita, sim. O Brasil é um grande pólo turístico do mundo, no momento. Nosso clima ameno, praias - vocação natural para o turismo. A Amazônia é fonte de grandes descobertas.

CP: O que diria aos novos administradores, como estímulo?

Robert: As palavras-chaves hoje são resiliência e flexibilidade. Equilíbrio. Na natureza, o símbolo é o bambu, que também representa a humildade. Todos esses aspectos pertencem a um bom administrador. Por natureza somos ecléticos. Precisamos exercitar a palavra final. É um exercício diário, ter metas, objetivos. Estar entre os melhores é fruto de trabalho.

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