The Christian Post > Mundo|Ter, 4 Nov. 2014 09:16 AM EST

‘Governo Chinês é muito mais perigoso que o Estado Islâmico’, diz ativista chinês

Cego desde a infância, Chen Guancheng é conhecido como o ‘advogado de pés descalços’

PorAlexandre Correia | Tradutor do The Christian Post tradutor Alexandre Correia

O Partido Comunista Chinês, que tem mantido o seu domínio sobre o povo da China há mais de 60 anos, é mais perigoso que grupos terroristas como o Estado Islâmico, de acordo com o famoso ativista dos direitos humanos Chen Guangcheng.

  • Bandeira da China
    (Foto: Reuters)
    Bandeira da China.

O governo chinês comemorou recentemente o 34º aniversário da sua política de um filho por família e o governo estima que mais de 400 milhões vidas foram "impedidas", com cerca de 13 milhões de abortos que acontecendo todos os anos.

Chen, um advogado autodidata que lutou pelos direitos das mulheres chinesas e foi preso pelo governo comunista por mais de quatro anos, durante meados do fim de 2000, disse para participantes de um evento na Heritage Foundation (um instituto de pesquisas americano) que a maioria dos abortos exigem que as autoridades sequestrem fisicamente mulheres e levem elas à força para clínicas de aborto.

"Acredito que temos subestimado a ameaça de um regime comunista como a China", disse Chen. "São muitas, muitas vezes mais perigoso do que os grupos
terroristas lá fora. Eu acredito que as pessoas vão perceber mais tarde que isso é verdade".

Chen disse que nas últimas três décadas, a política tem desmoralizado a sociedade chinesa. Chen, que é cego, disse que a implementação da política não inclui apenas
o aborto forçado de cerca de 1.500 vidas a cada dia, mas também envolve as surras impiedosas dos maridos, vizinhos e parentes das mulheres grávidas.

"Depois de várias décadas de implementação da política de um filho só e de
abortos [na maioria] forçados na China, o público vive com medo do governo", aponta ele." Quero enfatizar aqui que todos devem perceber que o Partido Comunista não representa a China, e nem mesmo o povo chinês. É só agora eles estão se tornando um inimigo público dos chineses”.

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Chen escapou da prisão domiciliar e, eventualmente, fugiu da China para vir até os EUA em 2012, na condição de acadêmico convidado pela universidade de Nova York. Antes ele conduziu seu próprio estudo em 2005 sobre os abusos de direitos humanos na China em relação às mulheres sujeitas ao método de abortos forçados.
Chen disse que seu estudo descobriu que havia pelo menos mais de 650 mil
mulheres na Província de Shandong e descobriu que muitos delas tiveram abortos forçados ao final de sua gestação. Suas pesquisas descobriram que houve casos de esterilização forçada em mulheres que violaram a política do filho único da China.

Para dar uma ideia da situação, Chen usou um exemplo em detalhes dos maus-tratos que um casal chinês sofre nas mãos dos funcionários de planejamento familiar, dizendo que é "apenas um dentre dezenas de milhares de exemplos de pessoas sofrendo esse tratamento desumano na China”.

Em sua descrição, havia um casal onde a mulher estava grávida sem permissão de engravidar e oficiais ordenam ao casal que vá para a clínica de aborto a fim de receber o procedimento. No entanto, o casal se recusa e não aparece na
clínica. Chen disse que, mais tarde, o casal é levado pelos oficiais locais e ambos são jogados na caçamba de um caminhão, que os está levando para a clínica de aborto.

Antes que o caminhão chegue à clínica, os oficiais do governo param no acostamento e levam o marido para fora do caminhão. Eles jogam o marido no
chão e começam a espancá-lo. Depois da surra, ele é colocado de volta no
caminhão e levado para a clínica onde ocorre o aborto forçado, e mais tarde
o casal é levado de volta para casa.

“Na cultura chinesa antiga, temos um ditado que diz que ‘sua casa é seu castelo’”.

“Nem mesmo um rei pode entrar se não for autorizado”, destacou Chen. "Agora
sob esta China, de regime comunista, eles enfiam a mão em seu corpo e tiram seus bebês de dentro de seu útero e os matam na sua frente".

Chen disse que, quando funcionários da política [de um filho só] visitam os povoados para implementar o regime, seus moradores ficam com tanto medo que costumam fugir de suas próprias casas e a procurar refúgio em campos abertos.

“Sempre que há um tipo de implantação de política de planejamento familiar, os aldeões ficam tão assustados que não se atrevem a viver em suas próprias casas”, disse Chen”.

“Eles têm que fugir de suas próprias casas levando apenas algumas roupas e passam a noite em campo aberto para escapar dos funcionários locais da política de planejamento familiar”.

Um deputado americano do estado de Nova Jersey, também falou durante o fato e disse que a multa por ter uma criança sem uma autorização do estado pode chegar a dez vezes a renda média anual dos pais. Se a mulher e a família não podem ou não pagam a multa, ela normalmente é presa e sua casa é demolida. Também acrescentou que, se a mulher foge de sua punição, seus parentes são frequentemente presos ou espancados.

"Punições em grupo serão utilizadas para discriminá-la socialmente. Seus
colegas e vizinhos terão suas licenças de parto negadas", disse ele." Se uma mulher é, por algum milagre, ainda capaz de resistir a esta pressão, ela pode ser fisicamente arrastada para a mesa de operação e forçada a passar por um
aborto".

De acordo com estatísticas de 2012, divulgadas pelo Centro Chinês de
Controle de Doenças, existem cerca de 590 suicídios femininos por dia no país – o único país no mundo onde taxa de suicídio é mais alta em mulheres do quem homens.

“Em muitos casos, as mulheres entram em desespero ao enfrentar um aborto forçado e elas já secaram suas lágrimas e seus vizinhos e parentes são frequentemente espancados por oficiais locais do governo para implantar esse tipo de política desumana”, concluiu Chen.

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