Manifestantes saíram em apoio às três integrantes da banda punk Pussy Riot em frente à catedral ortodoxa Cristo Salvador, em Moscou. As integrantes da banda estão presas por fazerem protesto contra o presidente Vladimir Putin, no altar da catedral.
(Foto: Reuters)Integrantes da banda punk russa Pussy Riot.
Cerca de 18 pessoas vestiram balaclavas coloridas, iguais às usadas pelas integrantes da banda, segurando cartazes pretos que diziam “Abençoados sejam os misericordiosos”.
Seguranças e policiais agiram para disperar os manifestantes. Pelo menos duas pessoas foram detidas.
A justiça russa deve anunciar nesta sexta-feira o veredicto do julgamento das mulheres presas. Elas cantaram uma “oração punk” pedindo para que a Virgem Maria livrasse a Rússia de Vladimir Putin, o então primeiro-ministro. A pena proposta é de três anos de prisão para cada uma por vandalismo motivado por ódio religioso.
As acusadas Nadezhda Tolokonnikova, 22 anos, Maria Alyokhina, 24 anos, e Yekaterina Samutsevich, 30 anos, estão detidas desde a apresentação em fevereiro.
A atitude rígida da hierarquia ortodoxa russa dividiu as opiniões na sociedade.
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Segundo o especialista em assuntos religiosos, Vladimir Oivine, disse à AFP, a adoção de uma posição tão rígida da hierarquia ortodoxa tornou as mulheres da banda em mártires.
"É uma vergonha para a Igreja andar a mandar pessoas para a prisão. A Igreja qualifica a acção delas como sacrilégio mas o verdadeiro sacrilégio é julgá-las em nome de Cristo. A fé cristã é a misericórdia e o amor", escreveu no site Grani-ru um padre de Moscovo, Viatcheslav Vinnikov, numa crítica aberta ao patriarcado.
Em um vídeo postado no YouTube, os cinco elementos da banda são mostrados encenando a oração punk na catedral, acompanhados por guitarristas, com as caras tapadas com passa-montanha coloridos, pedindo aos gritos que a Virgem Maria livre a Rússia de Putin. As mulheres se ajoelham e fazem sinais da cruz, com uma melodia de fundo que se assemelha a um canto religioso. Uma ação provocante aos crentes.
Obstante as críticas, o gesto foi considerado um “sacrilégio” pelo patriarca Kirill e um “crime pior que homicídio” por Vsevolod Tchapline. Eles querem por isso, que elas sejam punidas.
Segundo informações da mídia, a maior parte da população russa (mais de 70%) declara-se ortodoxa, porém, apenas de 5 a 7% são praticantes religiosos.
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