The Christian Post > Vida|Qua, 6 Fev. 2013 18:30 PM EST

ONU e OMS criticam a internação compulsória para viciados em crack em São Paulo

PorSarah Curty | Correspondente do The Christian Post

Em janeiro deste ano, o governo da cidade de São Paulo se uniu à Justiça para agilizar a internação forçada de casos de dependência extrema de crack. De acordo com o governo paulista, as propostas de tratamento seguem o apoiado pela ONU (Organização das Nações Unidas) e pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e assevera que nenhum paciente foi internado por ordem judicial e o número dos que foram internados involuntariamente não chega a dez.

  • Crack cocaina
    (Fonte: AP / Jae C. Hong)
    Silhueta de Sheila Nichols, 55 anos, enquanto está em quarto, em Los Angeles, segunda-feira, 19 de julho de 2010. Após duas décadas vivendo nas ruas do Skid Row, Nichols estava morrendo. Estava devastada por um vício pesado de crack, hepatite, HIV e sífilis em estágio avançado. Nichols foi resgatada pelo Projeto 50 e obteve cuidados médicos e serviços sociais. Recentemente, protestantes liberais e evagélicos conservativos aplaudiram uma legislação que faz a sentença de disparidade entre a posse de craque e pó de cocaína mais justa.

Entretanto, médicos da OMS e da ONU compartilharam suas críticas ao sistema de internação escolhido pelo governo da cidade. De acordo com o médico italiano Gilberto Gerra, chefe do departamento de prevenção às drogas e saúde do UNODC (Escritório das Nações Unidas contra a Droga e o Crime), a internação obrigatória não deve durar mais que algumas semanas e só é justificável quando o dependente apresenta risco para si mesmo ou para a sociedade.

Já para o médico australiano Nicolas Campion Clark, da direção do abuso de substâncias da OMS, afirma que o melhor é desencorajar o tratamento compulsório, já que isso pode afetar a confiança do dependente com os médicos, criando uma barreira entre eles e dificultando o tratamento. "É melhor encorajar o sistema voluntário de tratamento. É difícil forçar alguém a se tratar. Se você oferecer uma chance para as pessoas se recuperarem e terem comida, alguns vão agradecer, outros vão querer voltar para onde estavam", afirma o médico.

Os especialistas afirmam que o vício em crack não envolve somente o vício em si, mas diversos problemas sociais e psicológicos e esses devem ser tratados com amplitude e não somente deter os viciados em casas de internação. Para Gerra, é necessário proporcionar aos viciados "serviços atrativos e uma assistência social sólida" e é importante não tratá-los com remédios, mas com apoio psicológico e psiquiátrico, oferecendo aos dependentes uma possibilidade de que possam fazer algo diferente com suas vidas.

"Uma boa cura de desintoxicação envolve tratamento de saúde, inclusive psiquiátrico para diagnosticar as causas do vício, pessoas especializadas e sorridentes para lidar com os dependentes e incentivos como alimentação, moradia e ajuda para arrumar um emprego", afirma Gerra. Para ele, o Brasil precisa investir em serviços que ofereçam acompanhamento completo e multidisciplinar como moradia, assistência social, programas de emprego, alimentação, entre outros.

Desde o dia 21 de janeiro a parceira da cidade com a Justiça gerou polêmica e atraiu diversas outras críticas, especialmente pelo uso de policiais na internação dos dependentes. No entanto, as autoridades afirmam que a participação da polícia nunca esteve nos planos e que a internação obrigatória somente seria efetivada em casos extremos.

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Apesar das duras críticas, uma pesquisa da Datafolha realizada em 2011 afirma que 9 em cada 10 brasileiros acreditam que a internação compulsória seja a melhor saída para o tratamento de dependentes em crack.

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