The Christian Post > Política|Ter, 12 Mar. 2013 10:55 AM EST

Pastores evangélicos contestam interpretação bíblica de Marco Feliciano sobre os Africanos

Para alguns pastores a interpretação do Pastor Marco Feliciano é fundamentalista, levada ao pé da letra

PorAdoniran Peres | Correspondente do The Christian Post

Segundo matéria do Jornal O Globo, de ontem (11), pastores de igrejas evangélicas avaliam a polêmica interpretação bíblica feita pelo pastor e deputado Federal, Marco Feliciano (PSC), em seu twitter em 2011, de que os africanos descendem de ancestral amaldiçoado por Noé. Segundo os pastores, a interpretação do Pastor Feliciano é fundamentalista, distorcida do sentido real do texto bíblico.

  • marco feliciano
    (Foto: Twitter/Assessoria-Marco Feliciano)
    Deputado Pastor Marco Feliciano é o novo Presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias. Quinta-feira, 07 de março de 2013.

Em entrevista ao site “Verdade Gospel”, do pastor Silas Malafaia, Feliciano afirmou que não foi racista, apenas interpretou o trecho bíblico. Segundo ele Noé amaldiçoou o seu filho Cam, porque, após ter tomado vinho, foi visto por ele nu em sua tenda. Cam riu da nudez do pai. Os outros dois filhos foram abençoados porque entraram de costas na tenda e cobriram o corpo de Noé. O motivo de que Feliciano afirma sobre a maldição de Noé foi porque se estendeu aos descendentes de Cam, que são herdeiros da triste sina, por parte de Canaã, filho de Cam.

O teólogo e pastor da Assembleia de Deus, José Gonçalves, conta ao O Globo, o erro de interpretação acontece pelo fato do neto de Noé, que era descente dos negros (e não o filho de Noé, como foi dito) ter sido “amaldiçoado”. O pastor da Assembleia de Deus lamenta que esse breve discurso bíblico tenha sido interpretado errado, como uma maldição, já que o que foi dito por Noé no trecho da bíblia está relacionado em caráter de profecia de um pai aos seus filhos e netos. “Fala a respeito de Canaã, filho mais novo de Cam, e não ao próprio Cam”, conta o pastor para O Globo.

De acordo com o pastor José Gonçalves, a palavra “maldição”, que é usada somente uma vez por Noé, descreve o futuro de seus filhos e de um de seus netos, por conta de sua percepção sobre o caráter deles. Neste caso, não apenas negros estariam sujeitos à “maldição”, mas também egípcios, líbios e sul-arábios, todos descendentes de Cam. “somente igrejas periféricas mantém essa interpretação de Feliciano, entendendo a mesma como forçada, considerada uma teologia totalmente obsoleta e ortodoxa”, conta José Gonçalves ao O Globo.

Já para o pastor evangélico, doutor em Ciência da Religião, da Agência de Informações Religiosas (Agir), Paulo Romeiro, a raça não tem nada a ver com a teologia e sim sendo uma questão genética, já que não existe pronunciamento bíblico sobre o assunto. Segundo o pastor Paulo, o que se trata no livro sagrado são os elogios às pessoas com a pele negra. Ele cita o exemplo da mulher de Cantares de Salomão, que se descreve ser morena e Simão de Sirene, que ajudou Jesus a carregar a cruz.

Na avaliação do teólogo da PUC Minas, Roberlei Panasiewicz, o comentário do Pastor Marco Feliciano é uma afirmação fundamentalista, que busca que os textos sejam entendidos “ao pé da letra” e não interpretados, como deve ser. Para Roberlei, neste caso, entende-se de quem pensa assim entenderia que a mente humana não teria capacidade de interpretar um texto.

Curta-nos no Facebook

O jornalista da revista Veja, Reinaldo Azevedo, defendeu Feliciano nesta semana afirmando que a interpretação do pastor sobre os africanos é errada, no entanto afirma que os políticos de partidos de esquerda exageraram ao afirmam que a frase foi racista, já que a frase não cita negros e sim africanos. O jornalista cita ainda no texto sobre membros da família do deputado que são negros, como a mãe e seu padrasto.

  • Victoria Osteen e seu esposo Joel Osteen, pastor sênior da Igreja Lakewood em Houston, Te...
  • ...
  • Brasileirão 2013: tabela de classificação completa após 1ª rodada...
  • Protestos ocorrem com a aprovação do casamento gay na França....
Não Perca