The Christian Post > Cristianismo|Ter, 21 Out. 2014 23:58 PM EST

Pregador traz mensagem 'desconfortável', indicando que cristãos querem sucesso sem sofrimento

Efrem Smith avaliou que os cristãos estão marginalizando os marginalizados

PorNicola Menzie | Repórter do The Christian Post tradutor Alexandre Correia

Efrem Smith, pregador, escritor e defensor dos ministérios urbanos, pregou uma mensagem desafiadora, desconfortável e ungida sobre evangelismo, segundo alguns dos milhares de fiéis que participaram ou assistiram a transmissão via internet ao vivo de uma Conferência na Igreja Batista Saddleback, na Califórnia (EUA).

  • oração
    (Foto: Reuters)
    Jovem cristão orando em igreja dos EUA.

Smith, presidente e CEO da World Impact pregou uma mensagem intitulada "Repensando o Evangelismo através do sofrimento", defendendo que as atrocidades e sofrimentos que pessoas experimentam hoje exigem um novo foco dos evangelistas.

Ele começou a ler às milhares de pessoas presentes, e provavelmente outros milhares assistindo online, atentos à descrição do reino multi-étnica e multi-lingual de Deus descrito em Apocalipse 7, especificamente os versículos 9 a 17.

“Depois disso olhei e vi uma multidão tão grande, que ninguém podia contar. Eram de todas as nações, tribos, raças e línguas. Estavam de pé diante do trono e do Cordeiro, vestidos de roupas brancas, e tinham folhas de palmeira nas mãos”, revela Ap 7:9.

O autor do livro final do Novo Testamento, identificado como “servo João”, passa a relatar no versículo 13 que está sendo perguntado por um ancião nesta visão apocalíptica se ele sabe quem "estes de vestes brancas" são e de onde vieram.

"Estes são os que vieram da grande tribulação; lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro", diz o versículo 14.

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Embora falasse brevemente sobre a figura da diversidade apresentada na imagem escatológica popular, Smith usou este versículo, que segundo ele foi apresentado "através da lente daqueles que sofrem", para fazer um apelo aos líderes e ministros que, segundo ele estão fazendo um evangelismo “de cabeça pra baixo”.
"Vivemos em um mundo do Bizarro", disse Smith (fazendo uma referência a um personagem de quadrinhos que vive num mundo onde tudo é ao inverso). Ele insistiu que a razão pela qual há a necessidade de implantação de igrejas, ensino, e missões é porque este é um mundo de cabeça para baixo.

“Vivemos num mundo rasgado de fora a fora” acrescentou.

Os cristãos não podem mais dar ao luxo de andar por aí como se isso não fosse o caso. Com questões como o tráfico de pessoas, a escravidão moderna, a doença, a arrogância, o racismo, o sexismo, casamentos desfeitos, e uma série de outros problemas, "temos uma urgência de repensar a evangelização neste planeta", disse Smith.

Essa mudança de pensamento e método requer outra olhada em como Jesus "demonstrou e declarou que este mundo seria como se fosse virado de cabeça para cima de novo”.

"Jesus demonstrou isso com os marginalizados, os alquebrados, os párias, aqueles deixados pra morrer, [e] os oprimidos para nos mostrar o reino de Deus", disse Smith, explicando que Jesus não mostrou preferência para os privilegiados.

Smith sugeriu que, assim como a grande multidão de vestes brancas vista em Apocalipse 7:9, havia muitas pessoas que sofrem a tribulação hoje na forma de escravidão, perseguição e martírio.

O ministro passou a chamar plantadores de igrejas que querem levar as pessoas a Cristo e experimentar o reino de Deus sem experimentar qualquer sofrimento.

"Não é assim que Jesus veio", disse Smith, que confessou que também ele, uma vez que tinha a mentalidade errada. "Jesus, Deus veio à terra não como um ser humano privilegiado".

Aquele professado como o único Senhor e Salvador por bilhões de cristãos veio à Terra "fazendo parte de uma minoria judia oprimida e exilada... filho de um carpinteiro".

Smith passou a relatar como em seu ministério, Jesus se aproximou propositadamente ou restaurou àqueles que estavam à margem da sociedade - os aleijados, os pobres, as mulheres, entre outros. Dando exemplos de como Jesus habilitou duas mulheres a pregar (João 20 e João 4), Smith perguntou à plateia:

"Nós acreditamos que os sofridos, pobres, marginalizados, [e] humildes podem se tornar missionários, evangelistas... profetas e apóstolos em suas próprias comunidades? [Ou] eles são apenas objetos de nossa evangelização?", indaga ele.

Em vez de trabalhar ativamente para se envolver, capacitar e dar recursos para o mesmo tipo de pessoas que Jesus estendeu a mão, "estamos ocupados obtendo recursos para pessoas privilegiadas... para reconstruir ministérios para alcançar os pobres, feridos e perdidos", disse Smith.

"Acredito que precisamos ir além de apenas ter compaixão pelos pobres e precisamos capacitá-los", acrescentou. O ministro acrescentou que "os humildes" têm sido responsáveis por "muitos movimentos importantes, avivamentos, despertares, [e] de transformação da cidade”.

"São os pobres e sofredores uma parte de sua história?", perguntou ele. Será que o seu público acredita que essas mesmas pessoas "podem fazer o trabalho que você faz em suas próprias comunidades" e “em contextos especiais?”, questiona.

Efrem encerrou seu discurso cantando um trecho da canção "Killing Me Softly", para fazer referência ao trabalho que Cristo fez por ele e provavelmente vai ter que fazer em outros, para que eles desenvolvam uma mentalidade similar.

Como visto nos inúmeros os tuítes partilhados por aqueles que, seja pessoalmente na conferência ou assistindo pela internet ao vivo, saíram da palestra sentindo-se desafiados. Um espectador afirmou que a mensagem de Smith foi "desconfortável", mas "necessária".

Smith foi um dentre os mais de 75 oradores que falaram durante o congresso na igreja Saddleback. O tema de trabalho esse ano foi “buscar e salvar”, com um novo olhar no evangelismo – proclamando as Boas Novas – o quanto é preciso desafiar velhos paradigmas e redescobrir antigas verdades de Jesus.

O mesmo evento no ano passado atraiu cerca de 2.000 plantadores de igrejas à Igreja Saddleback, além de cerca de mais 15.000 mais pessoas pela internet.

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