Um levantamento do instituto norte-americano Guttmacher mostra que o maior número de abortos ocorre justamente nos países onde a legislação proíbe o procedimento. O estudo foi publicado na edição de quinta-feira da revista científica The Lancet.
O estudo, denominado Aborto Induzido: Incidência e Tendências Globais, mostrou que a América Latina tem o número mais alto de abortos em todo o mundo. Na região, a maioria dos países proíbe a prática. Segundo a BBC, os números apontam que 32 mulheres a cada mil, entre 15 e 44 anos, fizeram aborto na região.
A pesquisa avaliou a evolução da quantidade de abortos, e destacou que a prática vem sendo realizada de maneira insegura, uma estatística que vem aumentando bastante. O número de gestações interrompidas com práticas que apresentam riscos às mulheres cresceu entre os dois períodos analisados, de 44% em 1995 para 49% em 2008.
De um modo global, em 2008, uma média de 28 mulheres em cada mil fizeram aborto. Já em 1995, essa taxa era de 35 mulheres.
A pesquisa ressalta que os abortos feitos de acordo com recomendações médicas têm um baixo nível de complicações. Mas quando são feitos sem as precauções necessárias provocam mortalidade materna.
Em algumas regiões, quase a totalidade dos abortos acaba em morte. A região onde o nível de mortalidade é mais alto é na África. O número, espantoso, chega a 97% do total de abortos. O continente é seguido pela América Latina (95%), Ásia (40%), Oceania (15%), Europa (9%) e América do Norte (menos que 0,5%).
Em contrapartida, mais de 99,5% de todos os abortos realizados na Europa ocidental e na América do Norte foram considerados seguros.
Segundo a AFP, em termos gerais, o número de abortos tem aumentado em todo o mundo. Em 2008, foram realizados 43,8 milhões de procedimentos, um aumento de 2,2 milhões em relação a 2003, conforme o estudo.
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As razões para isso, segundo os cientistas, é o crescente aumento na população mundial e o menor uso de contraceptivos. Esse último fator se dá principalmente em países em desenvolvimento, que já respondem por três quartos do total de abortos.
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